No final de abril, os estudantes do 8º ano do Colégio Elvira Brandão viveram três dias de investigação, descobertas e aprendizagem no PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), uma das regiões de maior preservação de Mata Atlântica do país e referência em estudos espeleológicos, geomorfológicos e de biodiversidade.
O estudo foi planejado com objetivos de aprendizagem claros, articulando História, Geografia e Ciências a partir da observação direta do território. Mais do que visitar um parque, os estudantes foram convidados a olhar para o espaço como pesquisadores: observar, registrar, levantar hipóteses, comparar, refletir e relacionar o que viam com os conhecimentos construídos em sala de aula.
Durante a imersão, o grupo explorou cavernas emblemáticas do parque, como a Caverna Santana e a Caverna Morro Preto, analisando a formação das rochas calcárias, o processo de surgimento de estalactites e estalagmites e as características da biodiversidade cavernícola. A visita à Caverna do Diabo trouxe outro elemento importante para a investigação: a comparação entre um ambiente natural preservado e uma caverna adaptada ao turismo, permitindo refletir sobre os impactos da ação humana nesses espaços.
Os estudantes também realizaram atividades de observação e coleta de dados relacionados à sensação térmica, tempo de permanência e condições de luminosidade dentro das cavernas, conectando a experiência a discussões sobre ciclo circadiano e adaptações fisiológicas do corpo humano.
O roteiro incluiu ainda a visita ao Quilombo Ivaporunduva, comunidade tradicional localizada às margens do rio Ribeira do Iguape. Em diálogo com as lideranças locais, os estudantes puderam compreender aspectos da organização social, da divisão do trabalho, da economia sustentável e da importância histórica e cultural dos quilombos na formação do país.
As oficinas práticas, as conversas e as vivências no território ampliaram o entendimento sobre diáspora africana, resistência, identidade cultural e sustentabilidade, conectando diretamente os conteúdos de História e Geografia à realidade observada.
Ao longo dos três dias, todas as impressões, hipóteses e análises foram registradas no Caderno de Campo. Esse instrumento foi fundamental para transformar a experiência em conhecimento sistematizado, permitindo que os estudantes organizassem dados, refletissem coletivamente e aprofundassem as discussões propostas.
O estudo de meio no PETAR reforça uma das premissas pedagógicas do Elvira: a aprendizagem se torna ainda mais significativa quando o estudante pode relacionar teoria e prática, conteúdo e realidade, observação e reflexão.
Ao caminhar por trilhas, percorrer cavernas, dialogar com comunidades e analisar o impacto do turismo e da preservação ambiental, os estudantes ampliaram repertórios, exercitaram o olhar investigativo e compreenderam, na prática, como o conhecimento se constrói a partir da experiência com o mundo.